Qualquer merda (Lula Côrtes)
Me falta carinho
Me falta tesão
Me falta algum fio
Que ligue esse mundo na minha emoção
Me falta beleza
Me falta o amor
Me falta algum brilho
Que tire de dentro de mim tanta dor
Me falta tristeza
Me falta ilusão
E um pouco de sangue
Que venha aquecer esse meu coração
E me falta paixão
Me falta saudade
Me falta sentir o sofrer e o viver
E me falta a maldade
Me falta o cinismo
Me falta a frieza
Me falta a gravata bonita e dourada por cima da mesa
Me falta dinheiro
Me faltam culhões
E me falta sentir o outro lado da falta
E me faltam ilusões
E me falta até sangue
Me falta mais fogo
Me falta sentir e poder reagir contra a vida de novo
Me falta leveza
Me falta um brilhante
Me falta um olhar
Que me faça mostrar a verdade distante
Me falta birita
Me falta um papel
Ou então qualquer merda
Que aqui se pareça um pedaço do céu
Postado por Bruna Moroni, 14/07/2010
sábado, 17 de julho de 2010
Lula Cortês - Qualquer Merda
Moacyr Félix - Canto Para a Transformação do Homem
Moacyr Félix: Canto Para a Transformação do Homem
É inútil querer parar o Homem
e o seu sonho de enterrar
sob o verde passo de uma história livre
os dogmas do stalinismo
grudado como esparadrapo
sobra a boca múltipla da vida
(e a subdesenvolvida farda
dos tiranos que bebem uísque
pago com o sangue de sua pátria).
É inútil querer parar o Homem:
em tudo que de amor cantar
o seu sonho caminhará
a encaminhá-lo na direção dele próprio
inteirado quando históricamente liberto
do econômmico em que ora o algemam.
É inútil querer parar o Homem,
o que transforma a pedra em piso,
o piso em casa e a casa em fonte
de novas músicas de carne.
A andar em formas de palavras
sob os arvoredos da vida
o sonho do Homem caminhará
do pensamento para as mãos
e das mãos para o pensamento,
noite e dia caminhará.
até tornar as mãos em pássaros
livres, inteiramente livres, para amar
o azul ou as várias almas do céu
dentro do Homem que se movimenta
na liberdade, no amor e no desejo
em que a si próprio inventa.
Postado por Juliano Klevanskis, 14/07/2010
É inútil querer parar o Homem
e o seu sonho de enterrar
sob o verde passo de uma história livre
os dogmas do stalinismo
grudado como esparadrapo
sobra a boca múltipla da vida
(e a subdesenvolvida farda
dos tiranos que bebem uísque
pago com o sangue de sua pátria).
É inútil querer parar o Homem:
em tudo que de amor cantar
o seu sonho caminhará
a encaminhá-lo na direção dele próprio
inteirado quando históricamente liberto
do econômmico em que ora o algemam.
É inútil querer parar o Homem,
o que transforma a pedra em piso,
o piso em casa e a casa em fonte
de novas músicas de carne.
A andar em formas de palavras
sob os arvoredos da vida
o sonho do Homem caminhará
do pensamento para as mãos
e das mãos para o pensamento,
noite e dia caminhará.
até tornar as mãos em pássaros
livres, inteiramente livres, para amar
o azul ou as várias almas do céu
dentro do Homem que se movimenta
na liberdade, no amor e no desejo
em que a si próprio inventa.
Postado por Juliano Klevanskis, 14/07/2010
Fernando Pessoa - Poesias de Álvaro de Campos
FERNANDO PESSOA
Poesias de
Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Postado por Dani S., 14/07/2010
Poesias de
Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Postado por Dani S., 14/07/2010
Chico Science - Cadê meu horizonte
Cadê meu horizonte
(Chico Science)
O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior
Postado por Marisa Vieira, 14/07/2010
(Chico Science)
O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior
Postado por Marisa Vieira, 14/07/2010
William Blake
"Num grão de areia ver o mundo
Na flor silvestre a celeste amplidão
Segura o infinito em sua mão
E a eternidade num segundo."
William Blake
Postado por Alxandre Silveira, 14/07/2010
Na flor silvestre a celeste amplidão
Segura o infinito em sua mão
E a eternidade num segundo."
William Blake
Postado por Alxandre Silveira, 14/07/2010
Eduardo Galeano
"Somos o que fazemos,
mas somos principalmente,
o que fazemos pra mudar o que somos"
Eduardo Galeano
Postado por Jana da Vila, 14/07/2010
mas somos principalmente,
o que fazemos pra mudar o que somos"
Eduardo Galeano
Postado por Jana da Vila, 14/07/2010
Bertold Brecht
"Pense não apenas em ser bom,
mas em deixar atrás de você um
mundo melhor"
Bertold Brecht
Postado por Jana da Vila, 14/07/2010
mas em deixar atrás de você um
mundo melhor"
Bertold Brecht
Postado por Jana da Vila, 14/07/2010
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